Artigos por tema: História

Situado bem próximo da Freguesia de Porto Formoso, nos arredores da cidade da Ribeira Grande, o Miradouro de Santa Iria espelha bem a verdejante beleza da Ilha de São Miguel, rodeada pelo vasto azul do Oceano Atlântico.

Deste Miradouro aprecia-se a beleza da costa Norte, que respira um ambiente muito próprio, também marcado pelas vastas plantações de chá.

Diz-se que foi nestas encostas que a 3 de Agosto de 1831 se travou a Batalha da Ladeira da Velha, quando as tropas de D. Pedro IV venceram as do seu irmão D. Miguel, abrindo-se o caminho para Concessão de Évora Monte, que pôs termo à Guerra Civil de 1832/34, entre Liberais e Miguelistas

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Em Açores

Situado em pleno centro histórico da maravilhosa cidade de Angra do Heroísmo, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, o Palácio dos Capitães Generais é um belo palácio, de dimensões consideráveis, que atesta o poderio económico da cidade ao longo dos séculos.

O edifício foi mandado construir em 1570 pelo rei D. Sebastião, para oferta à então importante Companhia de Jesus, projectado como convento e colégio. Ao longo dos séculos, esta bela construção foi servindo a variados propósitos: como habitação de famílias nobres, sede de regência do Reino e Paço Real… Desde 1766 está destinado à residência dos Capitães Generais dos Açores. Um Capitão General era o governador e comandante militar de qualquer capitania-geral Portuguesa.

O Palácio alberga interessantes obras de arte e mobiliário, albergando uma interessante colecção de azulejaria, telas, esculturas, entre muitas outras riquezas, estando hoje em dia classificado como Imóvel de Interesse Público. De realçar, a Sala dos Reis, com retratos a óleo em tamanho natural dos Reis da Dinastia de Bragança.

A bela Igreja do Colégio, anexa ao Palácio, data do século XVII, envergando a mesma equação arquitectónica do restante conjunto, é dona de um interessante património do qual se destaca a talha dourada, a azulejaria Holandesa do século XVII e XVIII, ricas peças de estatuária e painéis de pintura do século XVII.

São Mateus da Calheta é uma bonita freguesia situada na costa sul da Ilha Terceira e localizada nas proximidades de Angra do Heroísmo.

A pacata São Mateus da Calheta tem graciosamente sabido manter vivas as suas tradições de tranquilo local rural e piscatório.

Esta é uma bela localidade, rica em património histórico, patrimonial, social e natural, outrora dona de maiores riquezas, próxima da influente Angra do Heroísmo e de costa fácil para aportar, pelo que foi alvo de muitos ataques e pilhagens por parte de Piratas e Corsários, erguendo-se a partir do século XVI diversos Fortes de proteção, como o Forte da Maré, o da Má Ferramenta, o Forte Grande, o do Biscoitinho, o do Terreiro, o do Barreiro, o da Igreja e o famoso Forte do Negrito. Hoje em dia a grande maioria destas estruturas defensivo-militares encontram-se em ruína ou mesmo desapareceram.

São Mateus da Calheta orgulha-se do seu Património religioso, de onde se destacam a Igreja Paroquial de São Mateus, datada de 1911 e a sua antecessora Igreja Velha, situada mesmo junto à costa, hoje em dia em ruínas, e das muitas Ermidas como as de Nossa Senhora da Candelária, de São Tomás da Vila Nova, de Nossa Senhora das Mercês, de Santo António dos Milagres, de São João Baptista, de São Diogo e São Vicente e a de Nossa Senhora da Luz.
De destacar são também os Impérios do Divino Espírito Santo e do Cantinho, do século XIX.

Igualmente importante, até à década de 70 do século XX, foi a herança Baleeira de São Mateus da Calheta, tendo estado instalada na zona balnear do Negrito uma Armação Baleeira de grande relevo, bem como uma fábrica de produtos derivados destes cetáceos, dos quais ainda restam algumas embarcações guardadas e em exposição na Casa dos Botes Baleeiros no Porto de Pesca, entre outros legados.

A Sé Catedral de Angra do Heroísmo é o maior templo e um dos principais monumentos desta bonita cidade Património da Humanidade, em plena Ilha Terceira, no maravilhoso Arquipélago dos Açores.

O actual templo terá sido construído sobre a anterior Igreja de São Salvador, datada provavelmente de 1496, ostentando um estilo Gótico contemporâneo da data da sua construção. A Igreja, contudo, revelou-se pequena para a crescente população de Angra do Heroísmo, que se afirmava como uma vila em franca expansão e riqueza. Da primitiva Igreja resta o altar mor, situado debaixo da Capela.

Procedeu-se, em 1570, à construção da Sé Catedral, num estilo imponente, procedendo-se posteriormente no século XX a diversos trabalhos de restauro, uma vez que diversas calamidades naturais, nomeadamente o terramoto de 1980 e um grande incêndio em 1984, causaram séria destruição.

A Sé Catedral de Angra do Heroísmo é caracterizada pela sua sóbria fachada de duas torres sineiras, e apresenta um bonito interior com tecto esculpido em cedro, azulejaria do século XVII, uma galeria de pinturas retratando os bispos de Angra, esculturas do século VII, mobiliário em jacarandá e o famoso órgão de grandes dimensões.

Em Junho de 1594 o galeão "Las Cinque Chagas" entrou nos mares dos Açores. Esta enorme nau trazia um número excessivo de passageiros enriquecidos (comerciantes e aventureiros) que regressavam a Portugal, um complemento de marinheiros e oficiais capitaneados por Dom Francisco de Mello e ainda 400 escravos embarcados em Angola. Havia a bordo à volta de 1.100 pessoas.
A viagem tinha começado há de mais de um ano no Oriente longínquo com paragens na Índia, em Moçambique (onde tinha passado o inverno), e depois de uma passagem difícil pelo Cabo da Boa Esperança, uma curta paragem no Brasil. A sua carga, que já era rica à saída da Índia, aumentou com a recolha de cargas de dois barcos – o "Santo Alberto" e ainda outro, naufragados na costa oriental de África. No manifesto de carga pode ler-se que transportava 3.500.000 cruzados, várias arcas contendo diamantes, rubis e esmeraldas, serviços de porcelana chinesa, e ainda 4 coroas cravejadas de pedras preciosas para serem oferecidas à Rainha de Espanha e a duas Igrejas lisboetas que tinham Imagens de Nossa Senhora como patronas. As fortunas individuais dos passageiros não são mencionadas, mas pode imaginar-se que seriam imensas. A nau "Las Cinque Chagas" foi "Las Cinque Chagas" avistada perto da Ilha do Faial por um esquadrão de três barcos ingleses – o "Sampson", o "Royal Exchange" e o "Mayflower" (que não é o mesmo barco que chegou a Plymouth em 1620) – comandados por Sir George Clifford, Terceiro Conde de Cumberland, que imediatamente a atacaram. Os combates duraram mais de um dia, e o "Las Cinque Chagas", já sem pólvora para se defender, despedaçado e com fogo a bordo, afundou-se. Nos dias seguintes muitos corpos deram à costa da Ilha do Faial e só 13 pessoas do barco naufragado escaparam com vida.

O terceiro tesouro perdido mais valioso no mundo é o espólio do "Las Cinque Chagas". Está avaliado em mais de 2 biliões (dois mil milhões) de dólares americanos (não levando em conta as riquezas transportadas por particulares, o contrabando existente a bordo, e as vastas cargas de seda e especiarias). O naufrágio deu-se a 13 de Junho de 1594 a 18 milhas do Faial, em águas profundas.

A Invencível Armada dirigiu-se para Inglaterra no ano 1488. Todos os barcos disponíveis em Espanha e em Portugal faziam parte da Armada que iria conquistar aquele país. Devido à ação da Marinha Inglesa, das tempestades e da imperícia dos comandantes espanhóis, a maioria das naus e galeões invasores foram destruídos. Os danos foram de tal ordem que só ao fim de três anos de trabalho intenso nos estaleiros da Península Ibérica se conseguiram construir novos barcos em número suficiente para substituir os destruídos. Durante estes três anos, não houve possibilidade de trazer o ouro, a prata e outros tesouros que se acumulavam no Novo Mundo e que tanta falta faziam ao Rei de Espanha para prosseguir as guerras que mantinha na Europa. Recomposta a Marinha Espanhola, foi finalmente enviado ao México um grande número de naus que, mesmo sendo em grande número se mostravam insuficientes para tanta carga – eram 77 barcos no total. Dizem os cronistas que, antes do início da viagem de regresso, as vagas do mar varriam os conveses de muitas das embarcações devido ao peso do tesouro a transportar. Na Corte de Londres fez-se uma estimativa da data em que a frota chegaria aos Açores para reabastecimento e foram enviados 12 galeões ingleses numa missão de corso.

Quando os Reis de Espanha foram informados do iminente ataque inglês ao seu tesouro, deram ordens à Tapeçaria em seda do ataque ao "Revenge Frota do Mediterrâneo para ir aos Açores proteger a carga preciosa que vinha do Novo Mundo. Os espiões ingleses na corte dos Reis Católicos enviaram uma mensagem urgente para a Inglaterra e a Rainha Isabel I despachou com a maior urgência um dos seus mais notáveis galeões a avisar os barcos ingleses do perigo que corriam. Este barco – o "Revenge" – tinha sido a nau capitânia do célebre corsário (pirata para os Espanhóis) Sir Francis Drake. O seu comandante nesta missão foi Sir Richard Grenville. O "Revenge" avisou os seus conterrâneos a tempo – já se viam as velas das naus espanholas no horizonte quando isto aconteceu – e os barcos da Armada Inglesa içaram as suas velas e fizeram rumo a Inglaterra. Sir Richard decidiu proteger os seus compatriotas: avançou sozinho e destemidamente contra uma força composta por 53 barcos espanhóis para os atrasar na perseguição que estavam a mover. Por dois dias o "Revenge" conseguiu resistir a abordagens e até afundou dois barcos inimigos. Mas com metade da sua tripulação morta, muitos feridos graves (incluindo o próprio Sir Richard) e com a promessa de tratamento médico, Sir Richard içou a "bandeira branca" de rendição. O "Revenge" foi trazido para a Ilha Terceira onde se encontravam as duas Frotas espanholas (a do Mediterrâneo e a das Índias) a fazer reparações e a revitalizar. Poucos dias depois, uma enorme tempestade abateu-se sobre os Açores. Independentemente de muitas manobras para evitar a destruição de navios, 12 barcos espanhóis carregados de tesouros afundaram-se, assim como o "Revenge" que não conseguiu sobreviver aos enormes estragos que tinha sofrido. Muitos dos seus marinheiros e Sir Richard Grenville faleceram nos Açores.

Nos anos 1968/9 foram dadas as necessárias autorizações à Marinha Inglesa para pesquisar e procurar o "Revenge" em frente à cidade de Angra do Heroísmo. O mito daquele nome é tão venerado em Inglaterra que um barco com o nome "Revenge" faz constantemente parte das suas Armadas desde o século XVI. O "Revenge" (nau Capitânia de Sir Francis Drake) deve encontrar-se afundado em frente a Vila Nova onde procurou escapar à tempestade que o vitimou. No fim da expedição a Angra do Heroísmo, a Marinha Inglesa afirmou nada ter encontrado ou retirado dos mares açorianos durante a pesquisa que fizeram (no lugar errado). No entanto, nos fins da década de setenta foram postas à venda na Europa muitas peças de joalharia eventualmente identificadas como tendo sido retiradas de barcos afundados nos Açores por constarem em manifestos de navios dos séculos XVI e XVII que se afundaram em frente a Angra do Heroísmo.

Eu tenho em meu poder uma cópia oficial do relatório do "Projecto Revenge" publicado em 1971 por Mr. Sydney Wignall, responsável por aquela operação. Também tenho em meu poder provas e indícios da localização de alguns barcos (não mais que duas dúzias) contendo tesouros e que se afundaram nos mares dos Açores – incluindo dois barcos que se encontram enterrados debaixo da Marina de Angra (embora se tivesse dado conhecimento às autoridades competentes da existência de restos de naus no lugar em que se iria construir aquela Marina, os trabalhos prosseguiram e é impossível hoje recuperá-los.) No entanto, existem pesquisadores que garantem saber a localização de muitas centenas de barcos afundados nos nossos mares e que contêm tesouros.

Contactei durante muitos anos os Governos dos Açores, assim como pedi as necessárias autorizações ao Instituto do Património Arqueológico Subaquático do Ministério da Cultura para se fazerem prospeções e pesquisas com vista a encontrar tesouros naufragados. A resposta e o interesse têm sido sempre negativos e baseados no receio de estes mesmos tesouros desaparecerem (por roubo) depois de recolhidos. Na verdade, a Legislação Portuguesa proíbe a busca e procura de tesouros nos mares dos Açores e exige que no caso de algum objeto ser achado por acaso, ser o mesmo restituído imediatamente ao Ministério da Cultura. Se o não for, o achador arrisca-se a pesadas multas e até prisão. A recompensa por esta honestidade vai até um máximo de €5.000 euros.

Os tesouros dos mares dos Açores têm sido salvaguardados por se encontrarem a profundidades muito elevadas. Para que estas profundidades sejam atingidas é necessário utilizar equipamentos muito sofisticados e de grande custo tanto para os adquirir como para os operar. As entidades que têm o poder de dar estas autorizações escudam-se na possibilidade da Marinha Portuguesa fazer este trabalho num futuro próximo. O outro elemento dissuasor é a legislação em vigor que exige que a iniciativa e os pedidos de autorização sejam feitos exclusivamente por ume instituição académica. Esta mesma legislação proíbe terminante de se pesquisarem lugares no mar (e em terra) que possam conter riquezas do passado. As Universidades não possuem os meios económicos para financiar projetos desta complexidade e a Marinha Portuguesa tem outros deveres e obrigações que nunca incluirão a pesquisa e a prospeção de tesouros.

A ciência de prospeção submarina está a avançar a passos muito largos. Jacques Custeau começou a mergulhar com um aparato primitivo há pouco mais de meio século. Hoje já se visita regularmente o "Titanic", que se encontra a 3.800 metros de profundidade. Existem companhias profissionais de mergulho com equipamento de controlo remoto capazes de submarino de controlo remoto localizar quantidades muito pequenas de metal no fundo dos mares. E existem equipamentos especializados que transportam mergulhadores a profundidades imensas. O perigo do roubo está sempre presente na possibilidade de operações submarinas clandestinas que podem ser muito difíceis de detetar. Pode ainda criar-se legislação na União Europeia que invalida o que é proibido fazer-se presentemente em Portugal e estes tesouros serem retirados para outros países.

O que tenho proposto é a criação de uma organização nos Açores (totalmente responsável por proteger os nossos interesses) que contracte arqueólogos subaquáticos, pesquisadores de documentos antigos e companhias de mergulho especializadas para que se inicie uma operação de pesquisa e recolha de tesouros e outros artigos de interesse que se encontrem nos mares dos Açores. Devido às grandes profundidades onde se encontram os destroços e restos de naufrágios e devido à baixa temperatura e à falta de oxigénio destas águas, espera-se encontrar objetos em bom estado de conservação – uma autêntica Cápsula de História que permitiria abrir museus que conteriam não só peças de joalharia mas também exemplos do que era utilizado no dia-a-dia de há muitos séculos: instrumentos de navegação, equipamentos médicos e cirúrgicos, armas e até artigos pessoais. Por outro lado, estas riquezas poderiam ser utilizadas para melhorar as condições financeiro-económicas no nosso Arquipélago e até nas nossas Comunidades.

Com destroços contendo valores estimados em biliões de dólares e barcos que foram arrastados para o fundo do mar devido ao peso em ouro e prata que carregavam, brevemente haverá quem os traga para a superfície. A bem ou a mal...

Em Açores

Visito as Flores como acho que devem ser visitadas todas as ilhas dos Açores: de barco, de carro, a pé, com tempo e disponibilidade.

Por ser varanda sobre o mar, os viajantes do século XIX deram a esta ilha denominações como "Jardim do Atlântico" ou "Suiça Açoriana" – muito por via da beleza estonteante das suas sete Lagoas: Rasa, Funda, Comprida, Negra, Seca, Lomba e Branca. No Verão de 1924 o escritor Raul Brandão, na visita que efetuou pelos Açores, permaneceu alguns dias nas Flores e deu-lhe o nome de "A Floresta Adormecida", título de um dos melhores capítulos do seu livro As Ilhas Desconhecidas, publicado dois anos mais tarde.

Situada na denominada Placa Litosférica Americana, ilha agreste e selvagem, de extraordinários contrastes, uma paisagem irrepetível, uma Natureza intacta e em estado puro – Flores é, hoje, para mim, a mais espetacular e a mais fascinante das ilhas açorianas. Tudo nela é grandeza e assombro: baías profundamente recortadas, falésias cortadas a pique, relevos incríveis, colinas arredondadas, vales fundos e abruptos, crateras imensas, ilhéus pontiagudos, rochas colossais, lagoas de sonho... E tudo isto enquadrado por densa vegetação com todas as tonalidades de verde.

A expressão telúrica desta ilha está precisamente nestes declives e nestes planaltos íngremes e imprevisíveis. E não existem palavras que possam adjetivar as furnas, as grutas e as cavernas que apreciei a navegar ao largo dos Cedros, Ponta Delgada e Ponta Ruiva. E que dizer da imponente Rocha dos Bordões? E do imenso silêncio das fajãs? E do verde-claro dos pastos iluminados por uma luz fria e delicada?...
Por toda a parte irrompem sebes de hortênsias em flor (que dividem os campos) e o amarelo perfumado das rocas (noutras ilhas também conhecidas por rocas-de-velha, conteiras, ou palmitos). Acima de tudo, é impressionante a abundância de água na ilha das Flores, onde existem cerca de 400 ribeiras. Mais deslumbrante ainda é a água que se precipita lá de cima das encostas, e continuamente tomba em fios esbranquiçados de cascata, despenhando-se cá em baixo e desfazendo-se numa névoa de gotas líquidas...

Mas uma ilha é também feita de gente. E os florentinos têm a candura e a generosidade dos ilhéus acolhedores e hospitaleiros, que vivem, com persistência, numa relação única e harmoniosa com a Natureza.
A caminho da Fajã Grande, detenho-me junto de um ancestral moinho de água (datado de 1862) que ainda mói pelos meios mais rudimentares e artesanais. Meto conversa com Fátima, a moleira que me parece saída das páginas de um conto de Trindade Coelho. Ela não tira os olhos do grão, seguindo a moenda com toda a calma do mundo. O monótono barulho das mós transporta-me ao passado. Momentos antes eu já havia experimentado tal regresso ao passado ao visitar as casas de pedra da Aldeia da Cuada, onde tudo é rural e arcaico, incluindo o nome da co-proprietária daquele espaço rústico: Teotónia.
Vou captando sucessivas imagens fotográficas. De miradouro em miradouro, rendo-me por inteiro à beleza luxuriante desta ilha que é a mais cabalística dos Açores: tem 7 lagoas, 7 baías e 7 vales...

De Santa Cruz às Lajes, e daqui até ao Morro Alto, os meus olhos deslumbrados contemplam todas as espécies de árvores: incenso, faia, loureiro, acácia, giesta, pinheiro, criptoméria, araucária, metrosídero, plátano... E, pelos trilhos da ilha, vejo manchas de laurissilva e cedro do mato e, com menor expressão, outras endémicas: sanguinho, pau branco, vinhático e queiró. E as trufeiras possuem a macieza do veludo. E, no Poço da Alagoinha, percorro os 800 metros que me transportam às regiões mais fantásticas do paraíso terrestre! E a mesma sensação assalta-me ao visitar o Poço do Bacalhau. Grandeza tamanha para uma ilha tão pequena. Percebo agora melhor os versos de Roberto de Mesquita e de Pedro da Silveira.

O mar sempre à volta. A ilha do Corvo no horizonte. Vejo no monitor da máquina fotográfica as imagens que vou captando. No fundo do vale da Fazenda de Santa Cruz, a igreja de Nossa Senhora de Lourdes empresta uma nota poética e mística à paisagem. E como é belo o casario branco a despontar no verde bucólico do Mosteiro! Na Fajã Grande, olho o ilhéu de Monchique e sei que estou no ponto mais ocidental da Europa.

Coelhos furtivos atravessam-se à frente da viatura que aluguei para visitar a ilha durante uma semana. Conduzo pelo silêncio de caminhos desertos e sou surpreendido pelas turísticas quatro estações num só dia... Boa rede de estradas. Curvas e contracurvas até dizer chega. Está um calor abafadiço na Caveira. A paisagem é casta e melancólica no Lajedo. Ambiente pastoril e idílico na Fajãzinha. Vejo campos de milho na Lomba e inhameiros na Fazenda das Lajes. E, por todo o lado, ouço o canto dos pássaros e o som das ribeiras e das cascatas.
Em 2009 a UNESCO reconheceu a importância ambiental da ilha das Flores, integrando-a na Rede Mundial de Reserva da Biosfera.

E depois há o gado bovino. Deixadas ao frio e ao nevoeiro à beira da estrada ou nos morros mais inóspitos, as vacas (brancas, pretas, malhadas e vermelhas charolesas) olham-me com desprezo. A terra está empapada de humidade e paira no ar um cheiro a mentrasto e uma impressão de frescura, de calma, de volúpia. Serenidade e melancolia. E um verde que pacifica o meu espírito.
Venha o(a) leitor(a) ver tudo isto com os seus próprios olhos. Porque, garanto, nada do que aqui escrevi é literatura.

Em Flores

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Em Açores

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Em Açores

Inserido no complexo vulcânico do Capelo, na Ponta dos Capelinhos, foi este o último vulcão com erupção, em 1957, sendo as suas consequências ainda hoje bem visíveis, uma delas o aumento do próprio território em cerca de 2,50km2 com a solidificação da lava que ficou acima do nível do mar.

A paisagem difere de toda a restante, e da própria imagem verdejante do Arquipélago Açoriano: aqui nota-se uma estranha beleza árida e vulcânica, que demonstra a todo o instante a grande força da natureza.

Este Vulcão foi único no mundo das Ciências Vulcanológicas, por ter sido fotografado, observado, estudado e interpretado desde o início até ao adormecimento. A actividade vulcânica manteve-se por 13 meses, iniciando-se a 27 de Setembro de 1957 e extinguindo-se somente a 24 de Outubro de 1958, no que se supõe ter sido uma sobreposição de duas erupções distintas, ocorrendo mais de duzentos abalos sísmicos antes de o vulcão entrar em erupção. Este facto foi muito prejudicial para o próprio desenvolvimento da Ilha, levando à forte emigração neste período e nos seguintes, mormente nas regiões do Capelo e Praia do Norte, onde campos de cultivo e pasto e habitações foram destruídas. A maioria da população emigrou, então, para os Estados Unidos da América, dado um protocolo de cooperação para com os refugiados.

Do Farol dos Capelinhos, onde se iniciou a erupção vulcânica, tem-se um belo panorama sobre toda a extensão do vulcão e a sua rara beleza. Aqui está agora o Centro Interpretativo que melhor explica este fenómeno e sua história, albergando uma ampla sala que simboliza uma erupção vulcânica, bem como outros espaços com exposições fixas e itinerantes sobre vulcanismo, e um auditório com capacidade para 60 pessoas.

A escalada ao Vulcão é um dos passeios mais deslumbrantes e únicos da Ilha do Faial, apresentando contudo algumas dificuldades e perigos, existindo para o efeito percursos predefinidos e serviços de guia oficiais.

Em Faial
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Informação sobre Actividades

Um dos melhores destinos do mundo para...