Artigos por tema: História

Actividade baleeira na Ilha de S. Miguel em 1903

Na década de 1880, constituíram-se armações no Grupo Oriental, a partir da ilha de São Miguel. Nesta ilha existiram quatro companhias baleeiras:

No Calhau Miúdo das Capelas, junto ao Morro, fundada a 29 de Outubro de 1884; No porto de Santa Iria, na freguesia da Ribeirinha, fundada no mesmo ano (1884); Na Grota, junto à Praia Grande dos Mosteiros, a “Companhia Pescadora”, fundada em 23 de Outubro de 1885 da qual era gerente o conhecido industrial João de Melo Abreu; No Castelo do Porto Formoso, a “Companhia Baleeira Esperança”, fundada por alvará de 20 de Abril de 1886.

Além destas, o Governo Civil de Ponta Delgada passou ainda, com data de 5 de Agosto de 1885, alvará provisório a Amâncio Júlio Cabral e José Maria Pimentel, para criação de uma empresa dedicada à pesca de cetáceos no Areal Grande de S. Roque, na costa sul da ilha. Todas estas empresas tiveram existência mais ou menos efêmera, à exceção da Companhia Baleeira das Capelas/São Vicente que, ao longo dos anos cresceu em meios e equipamentos, tendo aumentado as suas capacidades operacional e técnica, a ponto de ter se constituído uma das empresas de maior dimensão e com mais longa existência no arquipélago (1884-1983). - In Wilkipedia

Datados de 10.000 a.C., foram encontrados na costa portuguesa enormes arpões de pedra, com a mesma configuração dos actuais que só poderiam ter sido utilizados na captura de cetáceos. Ossadas de baleia, de 1500 a.C., encontradas nos restos das fundações originais do Alasca mostraram que os esquimós apanhavam cetáceos desde aquela data.

Os povos primitivos aproveitavam, sobretudo, os cetáceos que encalhavam. Foi a partir do século XII com os bascos que teve início a caça organizada. Por essa altura, a diminuição do número de baleias francas no golfo da Biscaia levou-os a procurá-las mar adentro, tendo chegado à Gronelândia e Terra Nova no século XVI.

A baleação portuguesa ter-se-á iniciado no século XIV. No que diz respeito aos Açores, Gaspar Frutuoso refere o aparecimento de baleias no século XVI, nas costas da ilha de S. Miguel, do seguinte modo: «saem à costa d'esta ilha, algumas vezes, baleias, mais da banda do Norte que do Sul, principalmente na costa do lugar de Rabo de Peixe, onde se acham muitas favas do mar, que dizem ser-lhe agradável e natural manjar e, posto que muitas saíssem somente se aproveita o azeite delas, sem nunca se achar âmbar». Outras referências ao encalhamento de cetáceos podemos encontrar nas Saudades da Terra, contudo a seguinte, dizendo respeito a S. Maria, é deveras interessante: «onde esta ribeira se mete no mar saiu à costa uma baleia, haverá perto de 50 anos, de cujos ossos que se pudera fazer uma cabana, em que puderam caber uma dúzia de homens, assentados à vontade».

Por altura de 1602 as técnicas de caçar baleias usadas pelos bascos são introduzidas e utilizadas no Brasil, iniciando-se o chamado ciclo baleeiro do Brasil colonial. A partir de 1614, a caça no Brasil passa a ser controlada directamente pelo reino de Portugal.

Por volta de 1644 começa a caça organizada na Nova Inglaterra, utilizando o método de empurrar os animais para a praia. Só em 1712 é morto o primeiro cachalote ao largo dos Estados Unidos. No ano de 1729 regista-se o invento, pelo Dr. Thiercelim, do sistema de «bomb-lance».

Em 1750 começa a caça em Newport e Rhode Island, por iniciativa do judeu português Aaron Lopes e onze anos depois, faz-se ao mar, nos Estados Unidos o primeiro navio com a capacidade de derreter a gordura a bordo.

Em 1765 os Norte-Americanos já caçam no Açores e em Cabo Verde e, em 1744, já chegavam ao Brasil.

Segundo capitães ingleses, as suas embarcações, em 1767, colheram nos mares dos Açores cerca de 10.000 barris de óleo. Um ofício dirigido por D. Antão de Almada ao ministro Francisco Xavier de Mendonça Furtado, datado de 19 de Julho de 1768, refere a presença nos Açores, no verão daquele ano, cerca de 200 embarcações da Nova Inglaterra que conseguiram um rendimento no valor de 800 contos, o que naquela altura era quantia bastante avultada, de tal modo que o referido capitão defendia que com eles fosse celebrado um contrato. Por esta altura, já um pequeno número de açorianos se dedicava à caça à baleia, com o objectivo de utilizar o óleo na iluminação de suas casas.

Em 1784, Dinis Gregório Meio Castro suplica à Rainha para adoptar medidas no sentido de impedir a concorrência feita pelos estrangeiros aos povos locais. Não obteve resposta.

A situação dos açorianos era deveras caricata: tendo possibilidade de se bastarem a si próprios com o óleo de suas baleias este saída para Inglaterra, sendo eles, por sua vez obrigados a comprá-lo mais caro a negociantes locais que o importavam. Um deles, Nicolau Maria Raposo que o importava do Brasil e que era detentor no monopólio da sua venda nas ilhas foi, em 1788, obrigado, devido à proibição de o vender mais caro então imposta pela Câmara, a vender o óleo que lhe havia custado 59.955 réis a pipa por 48.000 réis.

Para proteger a indústria inglesa, o governo português criara o «exclusivo contrato das baleias, para não se fazerem armações sedentárias em qualquer parte dos domínios». Essa medida foi anulada pelo alvará de 18 de Maio de 1798.

Um dos países que mais contribuiu para o aperfeiçoamento das técnicas da caça à baleia foi a Noruega. Em 1851, Svend Foyon, sem dúvida o pioneiro da caça e das indústrias da baleia, inventa espingardas que mais tarde foram utilizadas na captura de cetáceos e, em 1867, inventa um canhão muito semelhante ao utilizado actualmente. Outro norueguês, Christofersen, inventou em 1870, um guincho simples e, em 1894 um guincho duplo e uma mola em espiral.

A primeira sociedade para explorar a caça à baleia é constituída no Faial, em Fevereiro de 1857. Foi armado em baleeira o brigue Francês-Astória. Três anos mais tarde, a praça da Horta já possuía 10 baleeiras. Nas Flores, já existia pelo menos uma companhia baleeira em 1860.

Finalmente, no ano de 1862, a 26 de Maio, é publicada uma lei com o objectivo de proteger a indústria nacional de pesca da baleia.

Na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, foi fundada a primeira armação baleeira cujo bote e seus apetrechos foram adquiridos na América pelo Capitão Anselmo. Esta terá sido a primeira companhia com botes estabelecidos na ilha, regularmente estruturada e com escritura lavrada na Horta a 28 de Abril de 1876.

A lei de 10 de Abril de 1877 vem prorrogar por dez anos as disposições da carta de lei de 1862 e amplia as garantias dadas à indústria baleeira. Nove anos depois, é publicada uma portaria do Ministério da Fazenda, de 14 de Abril, que regula a execução do artigo 5º da lei de 26 de Maio de 1862.

No ano de 1885, chegaram a S. Miguel, provenientes do Faial, duas embarcações destinadas a dar inicio à actividade naquela ilha. No ano seguinte, caça-se à baleia nos quatros portos da costa norte de S. Miguel e em Vila Franca do campo.

Segundo Afonso Chaves, em 1888, estavam em actividade nos açores 86 canoas que capturavam por ano em média, 3 cachalotes cada uma.

Em 1894, terá sido construída a primeira canoa baleeira nos Açores e, a partir de 1900, todas as canoas passam a ser construídas cá.

No ano de 1917, a faina atinge o apogeu como consequência da guerra e do constante aumento dos derivados do cachalote.

Com a paz, a mão-de-obra a escassear face à quebra do preço do óleo e à possibilidade de arranjar empregos mais estáveis, menos perigosos e melhor remunerados. A industria no distrito da Horta passa por uma situação menos boa, de modo que, em 1938, a rivalidade devido à utilização dos «gasolinas» e atraso no pagamento das soldadas, faz com que seja pedida a intervenção do Estado.

Em S. Miguel, no ano de 1936, exploram a actividade três companhias, uma na Bretanha e duas nas Capelas. Em S.Vicente Ferreira, freguesia vizinha das Capelas, dois anos antes havia sido construída uma fábrica, no lugar dos Poços.

Na década de 40 baleeiras das Lajes do Pico vieram balear para São Miguel. Manuel Moniz Barreto e José de Brum balearam na Bretanha e Manuel Pereira Monteiro Júnior estiveram a balear nas Capelas.

Com a 2º guerra Mundial novo impulso surge e a actividade atinge o auge. A guerra, constituindo um impedimento para o desenvolvimento da industria, em muitos países as frotas baleeiras ficaram ancoradas nos seus portos e muitos barcos foram transformados para fins militares fez com que o nosso óleo tivesse uma procura que jamais conheceu. Durante este período, o número de embarcações aumenta, as capturas também de modo que chegam a representar 12.3% no conjunto das capturas mundiais. A proliferação de armações era tal que o governo viu-se obrigado a proibir a implantação de outras onde já existisse alguma. Construída a fábrica de Porto Pim, generaliza-se o reboque por lanchas, chegam os primeiros aparelhos de rádio, etc.

O ano de 1941 marca o início da actividade baleeira na ilha da Madeira. Em 1944, por iniciativa de 17 países, é criada a Comissão Baleeira Internacional (CBI).

Na década de 60, a montagem de fábricas de conserva de peixe, o incremento da pecuária, a emigração e as alternativas criadas pela industria ao óleo da baleia, trazem dificuldades ao seu escoamento e muitas companhias fecharam.

Em 1974, existiam nos Açores apenas 13 baleeiras e 15 lanchas pertencentes a oito sociedades.

Em 1981, a directiva europeia (348/81) proíbe a importação de todos os produtos derivados de cetáceos no espaço económico da Comunidade Económica Europeia.

Em Julho de 82, reunidos em Brigton Inglaterra, representantes de 39 países decidem proibir a caça à baleia a partir de 1985. Portugal ratifica a Convenção sobre o Comeércio Internacional das Espécies de Fauna e de Flora Ameaçadas de extinção, que inclui o cachalote no anexo I – comercio estritamente proibido.

Em Agosto de 84, ano em que foram capturadas 63 cetáceos, as armações baleeiras de Pico e Faial possuíam em «stock» 452 toneladas de óleo de cachalote. No primeiro semestre daquele ano, graças a um subsídio de 6$00 por kg, atribuído pelo Governo Regional, foram comercializadas 648 toneladas. Apenas a firma «Armações Baleeiras Reunidas», em S. Roque do Pico, continua a laborar. Em Outubro do mesmo ano, a «corretora» divulga a intenção de voltar à actividade, com base em S. Miguel, onde possui a fábrica nos Poços, fechada desde 1972.

O jornal «Correio dos Açores», de 7 de Julho do presente ano, noticia a existência de um projecto financiado pela Comunidade Europeia através das «Organizações Europeias para a Protecção Animal» que poderá atingir as 55.110 libras e que tem como objectivos investigar a possibilidade de observação das baleias o que poderá representar o nascimento de uma nova industria turística» e seria uma alternativa económica à sua caça.

Fernando Wallenstein Teixeira, segundo o Açoreano Oriental, de 13 de Agosto, está a desenvolver esforços no sentido de reiniciar a caça nas Capelas, tendo-se mostrado optimista quanto à concretização daquele seu objectivo.

Finalmente a 21 de Agosto, depois de 3 anos de interregno, pescadores das Lajes do Pico caçaram um cachalote de 20 toneladas e 15 metros de comprimento, a cerca de 15 milhas da costa.

Em Açores

No lugar dos Anjos existe uma Cruz de pedra sobre o morro que segundo reza a lenda assinala o local onde se pretendia construir a Ermida dos Anjos.Segundo a lenda a população queria construir a Ermida no local onde a mesma se encontra hoje, mas os responsáveis pela obra não entendiam assim e começaram a juntar a pedra no cimo do morro, mas começou a verificar-se que a pedra depositada durante o dia junto ao sitio da construção, aparecia misteriosamente na manhã seguinte em baixo, onde a população queria construir a Ermida.

Sem uma explicação lógica os responsáveis pela obra acusaram a população de transportar a pedra de noite para o local onde queria a Ermida e continuaram o trabalho para ser construída em cima da rocha.

Com o passar dos dias, o fenómeno repetia-se e as acusações também, mas sem se provar que a população tivesse alguma intervenção no misterioso transporte da pedra.

Um pescador, que vinha de noite por aquele local, surpreendeu-se com um barulho estranho e deparou-se com as pedras a moverem-se sozinhas colina abaixo, assustado foi avisar o mestre da obra, mas este e os trabalhadores zombaram dele sem acreditar, propondo voltar juntos ao local durante a noite, assim fazendo na noite seguinte, quando assistiram às pedras a rolar encosta abaixo atrás da imagem de Nossa Senhora.

Com este episódio ficou assente que a construção seria no local escolhido pela população, mas foi assinalado com uma grande cruz de pedra o lugar projetado, para recordar o milagre.

Situado no alto do bonito Jardim Duque de Terceira, em plena cidade Património da Humanidade, Angra do Heroísmo, o Alto da Memória é um local de onde se tem um belo panorama, coroado pelo Obelisco da Memória, construído em homenagem à visita que o Rei . Pedro IV efectuou à Ilha Terceira.

O monumento está hoje no local do antigo Castelo da cidade, conhecido por Castelo dos Moinhos, que terá sido construído cerca de 1474.

Daqui a vista sobre a cidade é maravilhosa, oferecendo puros momentos de contemplação desta cidade Património de Humanidade, que importa conhecer.

Em voo destinado a avaliar as condições da baía da Horta para futuras carreiras regulares transatlânticas da Pan American chegou ao Faial em 21 de Novembro de 1933, no seu hidroavião “Lockheed Sirius”, o ás da aviação coronel Charles Lindbergh, que viajava acompanhado de sua mulher Anne Morrow Lindbergh.

Este famoso aviador norte-americano, que em 1927 se tornara herói mundial ao efectuar, sozinho e sem escalas, a ligação de Nova Iorque a Paris no mítico aeroplano “Spirit of St. Louis”, estudava agora as possibilidades da realização de viagens aéreas comerciais entre os Estados Unidos e a Europa que, para serem técnica e economicamente viáveis, tinham de contar com bases intermédias para reabastecimento das aeronaves.

Uma das três rotas que Lindbergh avaliava era a de Nova Iorque a Lisboa, via Bermudas e Açores, a qual, embora mais extensa do que as rotas setentrional e ártica, tinha características que a recomendavam por ser realizável durante todo o ano, oferecer melhores temperaturas para passageiros e motores, ter menos nevoeiros e estar isenta dos gelos e das tempestades próprias das zonas polares. Apesar de não serem explicitamente revelados os motivos que trouxeram Lindbergh ao Faial, sabia-se que estudava, as bases de apoio que podiam ser usadas em voos transoceânicos e as condições que pudessem surgir ao longo das várias possíveis rotas aéreas entre a América e a Europa. Por isso, a imprensa local não teve dúvidas em avançar a ideia de que “se Lindbergh anda procedendo a estudos como se supõe, ficou sabendo, por experiência própria, que a baía da Horta tem condições para um magnífico aeroporto” 1. É que, “ a forma rápida, e em tão curto espaço, como Lindbergh fez a amarissagem, foi digna de nota, revelando grande mestria, sendo considerada a mais perfeita que se tem feito no porto da Horta” 2 permitindo-lhe aquilatar da excelência das condições que o mesmo oferecia para próximas carreiras comerciais.

Tendo vindo directamente de Lisboa, num voo que durou nove horas e vinte minutos, o casal Lindbergh amarou na Horta pelas 14 horas e 25 minutos, sendo transportado do seu monoplano para terra numa lancha da Capitania, na companhia do capitão- de- mar-e-guerra Costa Salema e do comandante militar coronel Álvaro Soares de Melo, desembarcando no cais de Santa Cruz. Aqui “uma chuva de flores caiu sobre eles”, em extraordinária manifestação de simpatia das autoridades e da população que, efusivamente, os saudou “com vibrantes salvas de palmas” 3. Após cumprirem as formalidades alfandegárias, seguiram para o “Faial-Hotel”, onde se hospedaram, recusando-se a fazer declarações aos jornalistas, na linha da política de sigilo que vinha caracterizando as suas viagens mais recentes. Estiveram dois dias na Horta, tendo apresentado cumprimentos às autoridades - nomeadamente ao governador Fernando da Costa - reabastecido o seu hidroavião e cancelado, devido ao mau tempo, o projectado passeio à volta da ilha. Contrariamente ao que haviam anunciado, não seguiram para a Madeira, antes voaram do Faial para São Miguel. Eram 12 horas e 45 minutos quando Lindbergh efectuou a descolagem que, no dizer de “O Telégrafo”, deixou, “mais uma vez maravilhados os milhares de espectadores pela segurança e mestria” revelados, o que, acentua o jornal, “largamente demonstra quanto a nossa baía vale em condições aeronáuticas”. Depois de levantar voo, “o aparelho efectuou duas voltas sobre a cidade, durante as quais os dois aviadores corresponderam com o acenar de lenços às saudações que a numerosa assistência lhes dirigiu”. Decorridos 85 minutos chegaram a Ponta Delgada, passaram a noite em casa do cônsul americano e, na manhã seguinte, dia 24, rumaram ao Funchal, que sobrevoaram, e amararam em Las Palmas. Estiveram nas Canárias até 27 de Novembro, dia em que voaram para a costa africana e ilhas de Cabo Verde. Se houvesse cumprido o que havia feito constar na Horta – e que foi notícia na imprensa local e internacional – Lindbergh deveria regressar daquele arquipélago à Europa, “para seguir finalmente para a América a vapor, visto o aparelho não oferecer condições para a travessia do Atlântico pelo sul, o que aliás nunca foi sua intenção”.

Afinal, esta era outra das mistificações que ele cultivava, já que a 3 de Dezembro um telegrama de Paris informava que Lindbergh, apesar do mistério que envolvia as suas viagens aéreas, ia atravessar o Atlântico sul o que, realmente aconteceu no dia 7, numa deslocação de 15 horas e 45 minutos de África (Gâmbia) ao Brasil (Natal). Depois foi uma peregrinação por terras do continente americano – Belém, Amazonas, Trinidad, Índias Ocidentais e São Domingos – até chegar aos Estados Unidos (Flushing Bay). Esta longa viagem de Lindbergh – que a esposa relatou no livro “Flying around the North Atlantic” e que ele prefaciou – teve evidente natureza científica e o mistério que lhe imprimiu, significa que, além da vertente comercial, poderia ter aproveitamentos políticos, pelo que as suas conclusões tinham de manter-se secretas, de forma a não serem utilizadas por outras potências aeronáuticas, em especial pela aguerrida Alemanha, já governada por Adolfo Hitler. Seja com for, as conclusões deste segundo e famoso voo de Lindbergh revelaram-se decisivas para que a Horta viesse a ser uma das bases de apoio e reabastecimento escolhidas pela “Pan American Airways” quando, em 1939, estabeleceu carreiras aéreas regulares de passageiros e carga entre os Estados Unidos e a Europa. À privilegiada situação geográfica e às naturais condições da sua baía, a Horta juntava o facto de ser um importante centro de telecomunicações por cabo submarino e de estar a menor distância das Bermudas, a mais próxima base de reabastecimento das aeronaves que ligavam os dois continentes banhados pelo Oceano Atlântico.

Escrito por: Fernando Faria

Em Faial

A histórica Ermida de Nossa Senhora dos Anjos situa-se na freguesia de Anjos, concelho de Vila do Porto, na fantástica Ilha de Santa Maria, Arquipélago dos Açores, pensando-se que esta será mesmo a mais antiga Ermida de todo o Arquipélago.

Originalmente construída em madeira, nos primeiros tempos de colonização do território, em 1439, foi reconstruida em alvenaria passados cerca de 30 anos, tendo desde então sofrido diversos trabalhos de restauro e reconstrução, nomeadamente nos séculos XVII e XIX. A Ermida apresenta-se hoje num estilo sóbrio, de planta retangular, em alvenaria de pedra rebocada e caiada, estando desde 2001 classificada como Imóvel de Interesse Público. O seu interior encontra-se enriquecido por um frontal de azulejos polícromos, típico do século XVII, e também por um tríptico pintado sobre madeira de cedro, datado do século XVI, entre outros interessantes elementos.

Diz-se que foi aqui que se celebrou a histórica missa de Acção de Graças, ordenada por Cristóvão Colombo em 1493, no seu regresso da primeira viagem ao continente Americano. A Ermida tem também associada algumas histórias e lendas associadas aos ataques piratas desta costa, dizendo-se que manteve o seu estilo sóbrio e simples para evitar ataques e pilhagens.

Situado na mais antiga das vilas do Arquipélago dos Açores, Vila do Porto, capital da Ilha de Santa Maria, o Forte de São Brás terá sido construído entre finais do século XVI e inícios do século XVII, como protecção da costa.

A Costa Atlântica sofreu, durante séculos, graves ataques e pilhagens de piratas e corsários, pelo que se tornava necessária a sua protecção.

O conjunto arquitectónico sofreu algumas obras de restauro na década de 60 do século XX, e está hoje aberto ao público, que se delicia com os panoramas que daqui se observam. O Forte de São Brás é constituído por um pequeno baluarte, pelo edifício da Casa do Comando e Quartel de Tropa, pela bonita Capela de Nossa Senhora da Conceição e por um obelisco de autoria de Raul Lino. Conserva ainda no seu interior peças de artilharia.

O Forte ou Castelo de São Brás é o mais importante exemplar de arquitetura militar quinhentista da Ilha, albergando hoje em dia o interessante Museu Militar dos Açores.

Já no século XVI se concluía que as Ilhas de São Miguel, da Terceira, do Faial e a do Pico eram as mais vulneráveis estrategicamente para os ataques e pilhagens de Piratas e Corsários da Costa Atlântica, tanto mais quando se dava a evolução económica e urbana destas.

A construção iniciou-se em 1551, sob plano de Manuel Machado, reformulado em 1553 por Isidoro de Almeida. O projecto viria a ser alterado posteriormente, nomeadamente em 1560 e 1567, e no período de ocupação Espanhola, tendo entrado em decadência a partir do século XVII. O século XIX foi o período de franca expansão económica e urbana da cidade de Ponta Delgada, pelo que em 1812 se iniciam as obras de restauro da imagem máxima defensiva da cidade, e aumento da sua artilharia.
Já a partir da década de 40 do século XX, o Forte passou a albergar, até aos nossos dias, a sede do Comando Militar dos Açores, e desde 1999, como acima referido, recebe o importante Museu Militar dos Açores, onde são retratadas décadas da História militar do Arquipélago.

O Forte, ou Castelo de São João Baptista, é um dos marcos da histórica cidade, Património da Humanidade, de Angra do Heroísmo.

Este monumento militar de grandes dimensões está situado no Monte Brasil, um antigo vulcão extinto, formando uma península na costa sul da cidade de Angra do Heroísmo, e duas bonitas baías (a de Angra e do Fanal), e seria parte dominante de um conjunto de fortificações que visavam a protecção da já importante localidade de Angra do Heroísmo.
Construídas durante o período de domínio Espanhol do território, a Dinastia Filipina (1580-1640), tinham por objecto a protecção costeira dos agressivos ataques e pilhagens por parte de Piratas e Corsários, e também o aquartelamento das tropas Espanholas. Angra do Heroísmo era também muito importante devido ao seu posicionamento geográfico estratégico, passando por aqui muitas das Rotas primordiais de comércio transcontinental.

A construção da Fortaleza iniciou-se em 1593, em pleno período de domínio Espanhol, denominada então Fortaleza de São Filipe. No contexto da Restauração da Independência Portuguesa, em 1640, aguentaram-se estoicamente as tropas Espanholas nesta Fortaleza durante onze meses, levando aquando da sua partida, diversas peças de artilharia, que lhes foram concedidas. De volta ao domínio Português, a Fortaleza é então dedicada a São João Baptista. A Fortaleza ficou também conhecida por, já no século XX, no período do Estado Novo, ter servido como prisão política.

A Fortaleza de São João Baptista compreende cerca de 4 km de muralhas defensivas, envolvendo o próprio Monte Brasil, albergando no seu interior a Igreja de São João Baptista, a Capela de Santa Catarina e o Palácio dos Governadores, naquela que é considerada a maior fortaleza construída pela Espanha em todo o mundo.

Na zona norte da ilha de Santa Maria, a Baía dos Anjos possui águas com temperaturas muito agradáveis, que convidam a banhos relaxantes com vista para a Ponta dos Frades. Esta zona balnear possui também uma piscina natural e equipamentos de apoio a pessoas com mobilidade reduzida.

A Baía dos Anjos tem ainda um interesse histórico, já que aqui se encontra a pequena capela onde Cristóvão Colombo mandou rezar uma missa no seu regresso da viagem de descoberta da América.

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