Artigos por tema: Chá

A ilha de São Miguel é o único lugar de toda a Europa onde se cultiva a planta do chá. A planta Camellia sinensis da família Theaceae é uma árvore originária do nordeste da Índia e sul da China que pode atingir 15 metros de altura, apesar de ser normalmente podada abaixo dos 1,5 metros. Possui folha escura, lustrosa e nervurada, com margem denteada. As flor é pequena, com pétala branca e perfumada. O fruto é uma pequena cápsula globosa, com até três sementes. A mesma planta origina diferentes intensidades de sabor e aroma. Os chás produzidos nos Açores são o verde Hysson e os pretos orange pekoepekoe e o broken leaf.

Em 1978, a Sociedade da Indústria Micaelense promoveu a vinda de dois chineses para o ensino da preparação da bebida. No passado, chegaram a existir seis fábricas e mais de uma dezena de plantações de chá, na costa norte da ilha. Resistem ainda duas explorações, as únicas com fins industriais da Europa. Produzem cerca de 50 toneladas por ano e são um ponto de paragem para um número cada vez maior de visitantes. 

Tanto a Fábrica de Chá Porto Formoso como a Gorreana somam ao processo de fabrico a manutenção de espaços museológicos riquíssimos, cujas visitas guiadas mostram a história desde a chegada do chá aos Açores, as magníficas paisagens de cultivo, o funcionamento da maquinaria, e dão a provar o seu valioso produto: o chá. Uma das particularidades da produção da Fábrica da Gorreana é o chá verde: não fermentado, mais leve e com características anticancerígenas e anti-inflamatórias. A exploração do Chá do Porto Formoso organiza, todas as Primaveras, uma recriação da apanha do chá em trajes típicos, acompanhada de música e diversão.

A plantação da Gorreana inicia a sua produção em 1874 e, em 1883, consegue o primeiro quilo de chá seco. Assim surge o Chá Gorreana, pelas mãos de Hermelinda Pacheco Gago da Câmara.

O Chá teve produções significativas nas primeiras décadas deste século. Na ordem das 700 toneladas por ano. No entanto, as restrições às trocas com o exterior, durante as duas grandes guerras, fizeram com que houvesse um maior investimento noutras culturas mais necessárias à subsistência dando assim inicio ao declínio da produção de chá. Dos anos 80 até há bem pouco tempo, a Gorreana era a única fábrica de chá da Europa.

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