Após a descoberta dos Açores, foram trazidas videiras de Creta, com o objetivo de desenvolver a vitivinicultura e aproveitar a posição geográfica do arquipélago para entrar no negócio dos vinhos gregos generosos. Os solos vulcânicos, as temperaturas amenas, a precipitação e humidade elevadas são fatores que caracterizam o arquipélago dos Açores na produção vitivinícola. Algumas condições menos favoráveis, como a proximidade marítima e os ventos fortes, obrigam ao plantio em locais protegidos e à utilização de resguardos, como os muros de pedra seca chamados de currais. No século XVI, monges franciscanos e carmelitas melhoraram as técnicas da cultura, que evoluiu até à exportação para o Brasil, Inglaterra e Rússia, onde foi considerado “o vinho dos czares”.
Efetivamente, a família alemã Wants Walter levou vinhos do Pico até aos reis de Inglaterra, que os incluíram nos banquetes reais, e aos czares da Rússia, que passariam a enviar embarcações para a sua recolha. Até Tolstoi refere o vinho do Pico em Guerra e Paz. No século XVI, também o vinho Verdelho dos Biscoitos embarcou nas caravelas portuguesas para a Rota das Índias, como produto de eleição. Os reis de Espanha brindaram-no no Palácio de Santana, aquando da sua visita, e no casamento dos duques de Bragança, no Palácio de Queluz, o Verdelho estava também no jantar de gala.
Os vinhos açorianos têm qualidade e prestígio reconhecidos, com Indicação Geográfica Protegida (IGP Açores, Vinho Regional) e três regiões de Denominação de Origem Controlada (DOC), nos locais onde a produção tem maior expressão: Biscoitos (ilha Terceira), Graciosa e Pico. Na ilha Graciosa produz-se vinho branco a partir das castas Arinto, Boa, Fernão Pires, Terrantez e Verdelho; e vinhos generosos nas ilhas do Pico e Terceira, apenas a partir das Arinto, Terrantez e Verdelho. Outra pérola da vitivinicultura açoriana, extraída da casta americana Isabelle que substituiu a maioria das europeias, é o vinho-de-cheiro, uma espécie de morangueiro monocasta, com aroma frutado e baixa graduação. Ainda resiste às novas leis europeias — que proíbem a presença de malvina e metanol — pela tradição das festas do Divino Espírito Santo, onde é bebido e usado na comida.
Os licores produzidos nos Açores são geralmente obtidos através de frutos locais. Há uma variedade de licores, mas os mais conhecidos são os de Maracujá, Ananás e Amora.